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Mostrando postagens de Julho, 2011

O verdadeiro

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O tempo arranca a importância de certas coisas e mostra que é preciso esperar seu crivo para saber o real valor delas. O que é verdadeiro permanece, a despeito de circunstâncias e contingências. O que é falso se desmancha fácil, evapora ao menor descuido.
(Aíla)

À toa

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Eu andei à toa pela tarde escrevendo teu nome nos muros cobertos de hera e te imaginando à noite sozinho lendo e relendo o papel amarelado das minhas cartas. Se pudesse, adivinharia a cor dos lençóis que te envolvem e fotografaria cada reação só para não esquecer o modo como minhas palavras beijam teus olhos...
Aíla

Ah, Orides...

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Tão bom se eu tivesse acordado antes do epílogo... teria escrito outro desfecho para a nossa história. Mas não acordei e a realidade bateu à porta pra me dizer que não foi um sonho. Pesadelo à luz do dia é ruim porque a gente não tem como escapar acordando... Ah, Orides, você tinha razão: o real nos doerá para sempre!



Aíla

Atire a primeira pedra

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Atire a primeira pedra aquele que nunca se equivocou ao tomar uma decisão, que nunca se apaixonou pela pessoa errada ou contrariou um dos mandamentos... a hipocrisia maior está não em fingir que não se cometem erros, mas em cometê-los e, mesmo assim, julgar os outros e destituir seu valor por conta de algum ato impensado ou inconsequente. A maturidade traz a benesse de se importar pouco com a censura alheia, sobretudo quando ela parte de quem não faz nenhuma diferença no desfecho das histórias.



Dizer 'não' é uma conquista que nos torna mais honestos com a nossa própria vida... Quero continuar me dando o direito de errar e viver o que meu coração pedir, procurando não magoar os outros, mas respeitando a mim mesma, sem trair minhas vontades nem minhas convicções! Não me violentarei nunca mais para agardar terceiros, pois descobri que essa é uma missão impossível. Vamos ser felizes, respeitando as diferenças e nos permitindo ser humanos, simplesmente humanos! Quem for infalível, …

Datas

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Jazem dezembros e natais em minha memória como restos de uma festa quase sempre trágica.
Saudades se avolumam na bagagem ano a ano, desbotando os enfeites da árvore que já não monto. Um rosário de penas  perde as contas em minha lembrança e revive em mim o destino da pequena vendedora de fósforos.
Se pudesse, eu tiraria as datas do coração e as deixaria só no calendário.
Aíla



Sem dor

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Finalmente vi, sem dor, teu olhar colher a tarde e o vento cobrir-te do vermelho-alaranjado que desceu do céu.
Não eras mais meu... parei para ver-te desvestido do meu amor e me lembrei dos beijos que me negaste, dos demorados abraços que esperei em vão a cada noite.
Naquela tarde, ali, diante das árvores, eras apenas um homem sozinho e já não me inquietavas; deixei a tarde ensanguentar-se em ti e, sem dor, sem mágoa ou saudade percebi que havias saído para sempre de dentro de mim.
Aíla

De protagonista ele passou a coadjuvante...hoje, é mero figurante no enredo da minha história.

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Aíla

Silêncios

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Daquelas tardes só ficou o outono sob a melancolia do sol avermelhado que fazia arco-íris em teus cabelos. O resto passou como água de rio; escorreu, fez-se córrego e desmanchou-se mar adentro, feito espuma e sal. Dos meus olhos não caiu nenhuma lágrima. Da minha boca não saiu uma só palavra. Tudo foi vivido à exaustão. Nenhuma lembrança ficou para derrubar essa parede de silêncios que se ergueu entre nós. Como uma navalha que não corta, faca cega que fura sem incisão passaste como ventania 
e fechaste todas as minhas portas.
Aíla

Tumulto

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Rasguei tuas fotografias; de joelhos, desfiz as juras, como quem pede perdão, e mergulhei nas águas geladas da última manhã de maio. Não em silêncio absoluto. Um tumulto sem voz e uma tristeza aguda gritaram pelos meus olhos e lavaram a perplexidade do meu rosto, enterrando no peito uma dor superlativa e muda.


Aíla

Quase setembro

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Já era quase setembro quando você chegou com a eternidade nos olhos.
Na bagagem, promessas de cuidados e futuros, mas nem por isso deixei que desfizesse as malas ou acreditei que o mundo não acabaria dias depois.
A paixão é erva perigosa cobra que se enrosca e sufoca se nos descuidarmos.
Aíla