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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Perder-te II

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Perder-te seria como voltar ao casulo sem mais possibilidade de virar borboleta; voltar ao marco zero do ventre que não mais fecunda. Eu só suportaria se pudesse dormir para sempre.
Aíla Sampaio


Fazes-me falta

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Fazes-me falta quando, à noite,o silêncio das estrelas vira luz em meus olhos e não posso dividi-lo contigo; quando o sono se perde em devaneios e preciso abraçar o travesseiro para sentir a pulsação do meu próprio corpo noutro. Fazes-me falta quando amanheço atrasada para o dia e não há sol para aquecer-me, nem agasalho para o frio que gela as minhas mãos órfãs das tuas. As horas correm lentas, arrastando o tempo desperdiçado em saudades e jogando o inevitável em nossas vontades vãs. Cruzo os braços para ver a vida escorrer rápida e sigo em frente como se não carregasse comigo um espaço vazio, uma ausência tatuada a ferro e fogo no corpo e na alma.

Aíla Sampaio



Perder-te

Tu estás em mim  como uma parte minha indivisível.
Perder-te seria mutilar-me.
Aíla Sampaio








Tudo

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Dou-te a minha palavra.
Tudo o que sou está nela: a minha verdade, coragem reinventada nos sobressaltos do imprevisível, e o meu poema: lírio inscrito na pedra.
Dou-te um novelo de peripécias  e um grito que te pede  socorro e zelo; uma história sem fadas, e teu nome escrito em minha boca como um beijo. 
Dou-te o que me falta e o que me sobra, o que me organiza e desordena, a minha primeira alegria e a derradeira. Dou-te, por fim, o meu momento  e tudo o que restar da minha vida inteira.
Aíla Sampaio