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Mostrando postagens de Junho, 2013

Nosso amor

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Nosso amor não aceita presságios nem finitude. Tem resistido ao sobe-e-desce das ladeiras, atravessado ruas movimentadas, dobrado esquinas escuras, mas se manteve austero diante dos perigos. De arestas aparadas, perdeu a fúria das ondas do mar, já não anda sobre as nuvens nem grita ao vento sua existência. Fez-se correnteza de rio, passo seguro em terra firme, silêncio que fala mansamente. É partida com certeza da chegada, voo livre com pouso certo; liberdade para aprisionar-se sem imposição. Já não delira; faz planos. Já não tem pressa; aprendeu a espera. Não é mais sonho; virou realidade.

Aíla Sampaio. 12 de junho de 2013.




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Deserção

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Meu silêncio não é uma prece tampouco ausência de tumulto 
ou pausa para a reflexão. Meu silêncio é deserção por desistência.
Aíla Sampaio



É com palavras que ergo as paredes da nossa casa. Só no poema é possível vivermos juntos para sempre.

Aíla Sampaio

Tentativas

O que fui foram tentativas. Nunca consegui a plenitude da ousadia ou a desnecessidade dela; jamais agi com beatitude ou danação. O que em mim foi guerra virou despojo de uma paz armada; o que foi sólido fez-se um  líquido amorfo; o que era quente ou frio escorreu morno. O que fui e o que sou continuam sem forma definida. O que serei, quem sabe, ultrapasse a tentativa.
Aíla Sampaio


Nada

Inquietam-me a palavra não dita,  o grito reprimido, a dor silenciada,  a falta de cuidado com a fratura da alma quando  do amor imenso não resta nada.
Aíla Sampaio