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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

Em silêncio

Da última vez em que nos vimos
era dezembro e havia muito a dizer.
Depois, veio o silêncio e fez a distância
com suas estradas intransponíveis.


Tudo compreendi calada
como quem suporta, sem um grito,
uma lâmina, a sangue frio, atravessada,
enquanto assiste a tudo se desfazer,
aos poucos, sem sequer uma palavra.

Palavra

ainda te necessito para despir os meus silêncios. Lâmina cortante ou ungento que sara, és tu, palavra, a vestimenta das histórias, o vento que leva toda mágoa ou o anjo que anuncia as boas novas.

Nosso amor

Escrevo-te como quem abre a cortina
e deixa o sol entrar
para arejar o pensamento,
esquecer mal-entendidos.


Talvez por nada mais ter a dizer
toda nota saia em sustenido;
componho um verso, amarro a frase
mas tudo o que digo é silêncio,
parece sem sentido.

É assim o nosso amor desde o início:
uma cortina que se fecha
um sol que se põe,
uma chuva que cai sem aviso;
de repente, entretanto,
as janelas se abrem
e o dia amanhece,
como se nenhum temporal tivesse acontecido.

Celebração

É Natal por isso doem-me os olhos sob as luzes coloridas; por isso as saudades são maiores e mais doloridas as vozes que já não ouço.
É Natal a vida renasce aos poucos, no rescender dos cinamomos, no badalar dos sinos, que celebram o Deus menino e trazem de volta a criança que fomos.

De outro tempo

Há em mim uma casa desabitada perdida no abandono dos ventos que sopram sem direção
há portas que batem silenciosas atrás de um adeus sem data, lágrimas nas paredes retintas e trancas enferrujadas nos portais
há hera entranhada nas vigas, nos muros e em minha alma, fechando porteiras, lacrando janelas misturando-se ao musgo que no jardim cresceu
Há em mim um silêncio quase sagrado e a memória de um tempo que não é o meu.