Chegaste afinal sob os sol de um agosto
festivo e despretensioso.
Trazendo o Aracati no olhar,
chegaste altivo, abrindo-me as portas
e desfazendo as malas para ficar.
Chegaste
como quem a casa retorna,
como quem de volta
se apossa do que sempre lhe pertenceu.
Como quem afinal reconhece,
tu me conheceste
e eu reconheci no teu cheiro
salgado de mar
o corpo que sempre foi meu.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Abril chuvoso
Quando te vi, partiram todos os trens
e os meus sonhos foram na bagagem.
Fiquei para sempre na estação vazia
esperando que passasse cada inverno
para que eu pudesse seguir viagem.
Não voltaste para devolver meu olhar
aos trilhos
e o outono chegou sem que o verão
se manifestasse.
Caíram-me as folhas
secaram-me os olhos,
parou meu coração.
Novo abril chuvoso, tantos anos depois,
aqui estou estendendo-te a mão
para que me reconheças
já não há mais trens nem estações
mas há os sonhos ressuscitados
e a certeza de que és tu
o mesmo homem que me acenou
de um daqueles vagões
e os meus sonhos foram na bagagem.
Fiquei para sempre na estação vazia
esperando que passasse cada inverno
para que eu pudesse seguir viagem.
Não voltaste para devolver meu olhar
aos trilhos
e o outono chegou sem que o verão
se manifestasse.
Caíram-me as folhas
secaram-me os olhos,
parou meu coração.
Novo abril chuvoso, tantos anos depois,
aqui estou estendendo-te a mão
para que me reconheças
já não há mais trens nem estações
mas há os sonhos ressuscitados
e a certeza de que és tu
o mesmo homem que me acenou
de um daqueles vagões
Enganos
Esperei uma palavra tua
uma só palavra que desencantasse
a lua em minhas noites escuras
e me fizesse ler em teus lábios
a ternura dos anjos.
Fiquei à deriva,
barco sem mar, a remar desenganos
quando li em teu silêncio a certeza
de que as manhãs ensolaradas
que eu via em teu sorriso
eram apenas fotografias borradas
de um paraíso perdido na névoa
de infinitos invernos.
Vaticínio
cortar os pulsos e as raízes,
afogar-me em meu próprio sangue
ou enterrar-me viva numa caverna
do outro lado do mundo...
Eu poderia autoflagelar-me,
em degredo profundo
por desobedecer ao décimo mandamento;
poderia atravessar o inferno
de mãos dadas com Dante e Virgílio
com a calma de um assassino.
Eu só não poderia deixar de amar-te,
porque nenhum flagelo
é capaz de consumir a carne do tempo
que queima em brasa,
mas não desfaz os laços atados pelo destino.
afogar-me em meu próprio sangue
ou enterrar-me viva numa caverna
do outro lado do mundo...
Eu poderia autoflagelar-me,
em degredo profundo
por desobedecer ao décimo mandamento;
poderia atravessar o inferno
de mãos dadas com Dante e Virgílio
com a calma de um assassino.
Eu só não poderia deixar de amar-te,
porque nenhum flagelo
é capaz de consumir a carne do tempo
que queima em brasa,
mas não desfaz os laços atados pelo destino.
Até o amanhecer
Não vás
é perigosa a estrada para quem sonha
vem e senta-te ao meu lado para escutar a chuva
Pus vinho para resfriar
Reguei o queijo com azeite
e povilhei-o com orégano
como gostas.
Tenho as chaves da porta para que entres
vem e descobre outras Américas
no mapa do meu corpo
percorre o caminho que te levará ao paraíso.
Nada temas. Nenhum mal vai acontecer
não preciso de nenhuma promessa
de nenhuma proposta
Nada de perguntas ou respostas
só quero que proves do meu queijo
que bebas do meu vinho
e vivas em mim eternamente
até o amanhecer...
é perigosa a estrada para quem sonha
vem e senta-te ao meu lado para escutar a chuva
Pus vinho para resfriar
Reguei o queijo com azeite
e povilhei-o com orégano
como gostas.
Tenho as chaves da porta para que entres
vem e descobre outras Américas
no mapa do meu corpo
percorre o caminho que te levará ao paraíso.
Nada temas. Nenhum mal vai acontecer
não preciso de nenhuma promessa
de nenhuma proposta
Nada de perguntas ou respostas
só quero que proves do meu queijo
que bebas do meu vinho
e vivas em mim eternamente
até o amanhecer...
De olhos entreabertos
Não precisas falar para que eu te escute
Teu silêncio diz o bastante para que eu decifre o sinal
De olhos entreabertos, vejo-me no palco,
calculando os gestos e preparando as lágrimas
para cumprir a pena de um desfecho fatal
Recuo, avanço, aceito, protesto, mas não saio de cena
de olhos entreabertos cumpro o ritual e espero...
... quem ama pode mudar qualquer final
Teu silêncio diz o bastante para que eu decifre o sinal
De olhos entreabertos, vejo-me no palco,
calculando os gestos e preparando as lágrimas
para cumprir a pena de um desfecho fatal
Recuo, avanço, aceito, protesto, mas não saio de cena
de olhos entreabertos cumpro o ritual e espero...
... quem ama pode mudar qualquer final
Finalmente
Lavo as mãos. Finalmente.
Havia vestígios de espera
guerra de acenos vãos
nos desvãos da memória.
Agora é o sino tocando
esquecido na torre
como meus olhos nos teus
todos esses anos...
Fecho a porta. Finalmente.
Jogo a chave no mar
me afogo junto e, penitente,
vejo que o tempo passou
e que o amor o amor,
o amor não durou para sempre...
Perdidos estamos entre
mágoas antigas
e inevitavelmente recentes;
perdidos nas dores
e nos desenganos estamos...
finalmente de mãos lavadas
e portas fechadas para sempre.
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