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Mostrando postagens de Outubro, 2010

Versos em teu corpo

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Em espirais, minhas mãos criam metáforas no teu corpo como se escrevessem versos sem palavras. Na sintaxe do silêncio, somos texto e subtexto, desejo substantivo de atravessar o espelho e chegar ao céu,
onde se podem pronunciar todos os verbos.


Aíla
20/10/10

Canto das sereias

Apascentando sonhos

Como ser o teu espaço
e tua possibilidade? O obstinado rio
a despejar no teu mar?
Quem me dera ser teu porto
no instante em que a vida arda,
não ser apenas o outro,
não ser aquele que tarda.
Pudesse te encontraria
no leito branco de nuvens,
mistérios apalparia
num sonho doce e suave.
Então, tu me indagarias:
– Trouxeste a chave?
– Sim, querida, e a lua...
– Entra, sou toda tua.



Tarde

Vontade de ti como, no verão, de um mergulho: o corpo em chamas pedindo água. Secos os rios e os olhos... Já nem choro, só o coração lateja descompassado sob o peito que arde.


Restam-me apenas o mar e seu pedregulho meu olhar desfeito, minha boca seca e a salobra sensação de que cheguei tarde.

TU E O OUTRO

Não a ti, que eu não amo mais, mas ao outro que eu amei e por quem sofro, é que estendo este olhar perdido sobre as ondas sonhando um mergulho impossível.


Não por ti, homem comum,
que me teve nos braços e conheceu meu corpo, mas pelo outro que eu criei e fiz poeta, é que sinto a dor desse dilacerado engano que me corta feito um punhal de ouro. És tu quem enterro hoje sob os escombros de tantos conflitos; és tu que faço morto em meu desejo Não o outro que nunca existiu, nunca esteve comigo.

27/10/10