Nosso amor









Nosso amor não aceita presságios nem finitude. Tem resistido ao sobe-e-desce das ladeiras, atravessado ruas movimentadas, dobrado esquinas escuras, mas se manteve austero diante dos perigos. De arestas aparadas, perdeu a fúria das ondas do mar, já não anda sobre as nuvens nem grita ao vento sua existência. Fez-se correnteza de rio, passo seguro em terra firme, silêncio que fala mansamente. É partida com certeza da chegada, voo livre com pouso certo; liberdade para aprisionar-se sem imposição. Já não delira; faz planos. Já não tem pressa; aprendeu a espera. Não é mais sonho; virou realidade.

Aíla Sampaio. 12 de junho de 2013.





Comentários

  1. Bom dia, Aíla. Que lindo! Resistir ao perigo que encontramos no meio do caminho e manter-se firme, dá-nos a certeza de que sempre vale a pena lutar por ele.
    Lamentável, quando o desejo de lutar já não existe, embora a boca dizendo o oposto.
    Que essa realidade seja infindável.
    Beijos na alma e tudo de bom.

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  2. Vi o bonito na simplicidade das palavras, na imagem produzida. Que continue a se expressar e a colorir o seu dia e o dia dos leitores! Adorei o blog, Aíla! Abraço,
    Lívia

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