segunda-feira, 6 de novembro de 2017

De sapatos novos




Numa esquina qualquer de abril, 
 
ela deixou a atenção que ele não lhe deu, 
 
os telefonemas que não retornou, 
 
e a vontade inútil de vê-lo com vontade dela... 
 
Largou a caixa vazia nos desvãos das horas 
perdidas e irrecuperáveis. 
 
"O que não foi é porque não deveria ter sido", resignou-se.

Viu que já era maio, com suas ruas claras 
 
e seu cheiro de flores. 
 
Sem vontades inúteis, olhou a paisagem de festa
 
e viu as respostas do tempo em seus sapatos novos…
Ficou alguns minutos em silêncio, 
 
depois jurou que teria cuidado 
 
para não os perder na escadaria errada mais uma vez!




Aíla Sampaio 
 

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