segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Via de mão única










Habituei-me a ti como às ruas por onde passo automaticamente. 
A mesma paisagem após o café,
a sempre mesma palavra a Deus por mais um dia, 
a mesma vontade de outro olhar que esvaziasse a mesmice que viramos. 

Teu corpo, via de mão única do meu percurso diário, 
escorregou do meu desejo... 
fez-se apenas um quadro na parede da sala; 
um móvel que (não) posso trocar de lugar. 



Aíla Sampaio

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