Eu te amei sim, posso te responder agora. Até ontem eu tinha receio de admitir isso, por conta do teu tépido suspiro. Eu queria calor ou frio e tu ficavas a cozinhar em fogo baixo. Com a minha intensidade, não havia jeito de dar certo. Não tenho paciência pra lentidão, indecisão, nem pra estar triste, conjecturando sentimentos, medida deles, coisas assim tolas, mas incômodas. Ficar longe de ti foi possível e necessário, mas saber que não nos teremos mais nem qualquer dia é olhar um mundo incolor, é baixar a voltagem da vida. Posso admitir não. Acabo de colocar as roupas de volta no armário e vou ficar esperando que tu me inventes outra vez... mas vou esperar do lado de dentro, pra não correr o risco de me molhar quando o próximo inverno vier. Até lá, por favor, não me tire o sono nem o fôlego com seu beijos bem resolvidos. Não quero correr o risco de morrer antes do tempo.
AílaSampaio
Poemas, contos, imagens... palavras e silêncios. Mergulhos e naufrágios de AílaSampaio
quinta-feira, 12 de abril de 2012
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CICLO INEVITÁVEL
“Faz tempo, sim, que não te escrevo, ficaram velhas todas as notícias”, disse o poeta num soneto à mãe nos anos 40. A velocidade do temp...

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Finalmente vi, sem dor, teu olhar colher a tarde e o vento cobrir-te do vermelho-alaranjado que desceu do céu. Não eras mais meu... parei ...
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Tu sabes a ordem das estrelas nas constelações e o movimento dos ventos . Sabes tudo das estações e dos climas amenos que ...
Uma excelente admissão, não há tempo, o tempo é voraz, consome a nossa existencia exigente cada vez mais sem tempo para paninhos quentes. Parabens é uma belo trecho.
ResponderExcluirGostei amiga Aila