quinta-feira, 16 de agosto de 2007

FRAGILIDADE*


Fragilidade *

A dor – cárcere privado.
Indivisível.
Efeito?
Defeito detectado
no peito (quem sabe) desarmado,
na carne, matéria exposta
susceptível ao tempo,
no coração que pára
-relógio sem conserto
nem motor de reserva.

Inventos os tempos levarão.
Fadarão ao passado
novidades imediatas.
O que será do homem
- vaso de porcelana –
se os jardins desmoronam
sob concretos?
Profetas, Deuses – mistério celeste –
crença absoluta no abstrato poder:
autores de espetáculos
onde, involuntários atores,
brindamos ao happy end.
?

Ergamos as taças,
enfeitemos o vaso.
Viver é representar
a transparência dos cristais
e a fragilidade de flores colhidas.

*Poema publicado na Revista Espiral No.3 – 1997 p.80

Um comentário:

Despejo

Meu corpo te deu ordem de despejo. Meu coração, não. Ainda pulsa imberbe o desejo de atravessar a vida ...