Da rua


Ele me batia e me queria violentamente. E me dizia coisas horríveis de que eu gostava. Todo dia de quinta, às 8 ele passava e era certo eu estar esperando por seus dedos melífluos, sua boca sem céu nas palavras... Eu me doía toda se ele demorasse. Só de pensar ir com outro no dia dele, só de pensar ficava mal. Mas ele vinha nem que fosse atrasado para puxar meus cabelos e me mandar ficar de quatro como uma égua. Ele vinha e me queria violentamente, me dizendo coisas horríveis de que eu gostava. Nunca nada me prometeu nem deu. Nunca. Mas sabia que eu era da rua e gostava de fazer comigo o que seus instintos mandavam. Fui cadela, vaca, égua, cabrita, só não mulher para não me parecer com a dele... Fui feliz até o dia em que ele nunca mais apareceu. Só vi no jornal o convite para a missa.

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