terça-feira, 14 de agosto de 2007

Parto


Um cheiro branco de margaridas voava até sua janela branca de venezianas abertas. Acordar sempre foi seu desespero. Invadida pelo vento frio, alcançava com esforço o chuveiro e recebia paciente o jato da água. Sempre já passava da hora e era quando ela odiava ser só. Tivesse um homem e sairia plena, penetrada pelo dia antes mesmo que ele amanhecesse. Há quando tempo só o prazer frio e solitário da ducha. Há quanto tempo só o cheiro branco das margaridas e o dia nascendo nela como num parto a fórceps...

Um comentário:

Despejo

Meu corpo te deu ordem de despejo. Meu coração, não. Ainda pulsa imberbe o desejo de atravessar a vida ...