
Um cheiro branco de margaridas voava até sua janela branca de venezianas abertas. Acordar sempre foi seu desespero. Invadida pelo vento frio, alcançava com esforço o chuveiro e recebia paciente o jato da água. Sempre já passava da hora e era quando ela odiava ser só. Tivesse um homem e sairia plena, penetrada pelo dia antes mesmo que ele amanhecesse. Há quando tempo só o prazer frio e solitário da ducha. Há quanto tempo só o cheiro branco das margaridas e o dia nascendo nela como num parto a fórceps...
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