terça-feira, 13 de janeiro de 2015





Nunca lamente o trem perdido, o amor que se foi, a oportunidade que passou. Todas as coisas têm o seu tempo exato para acontecer e o seu prazo de permanência. O que verdadeiramente nos pertence nunca sai definitivamente da nossa vida. Pode até ir, mas sempre dará um jeito de voltar... Se não voltar, será o melhor que nos poderia ter acontecido.

Aíla Sampaio 





As folhas de papel se espalham sobre a mesa. As tintas descoram as palavras, mas o sentimento não desbota com o tempo. Sentada com os braços apoiados numa almofada, ela lê vagarosamente cada uma, fechando de vez em quando os olhos, como quem está sendo beijada. Depois repassa fotografias, suspendendo pausadamente a respiração como se quisesse reviver os momentos congelados no tempo. Há anos não acende a lareira nem corta os cabelos. Há anos escreve cartas que não envia. Vive escondida de si mesma, sepultada nas lembranças que inventou pra não enlouquecer.

Aíla Sampaio



(Mulher Lendo, Van Gogh).

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Por enquanto

O sopro do vento arrastando as folhas A chave enferrujada na porta A jaqueta perdurada no silêncio. Somente seu olhar ...