Quero







Quero de volta os quintais bem varridos da minha infância, suas árvores frondosas fazendo sombra sobre o meu cansaço. Quero o cheiro das mangas rescendendo na paisagem e o abraço do vento em meus cabelos que já foram longos, da cor das pitombas que caíam sobre a minha cabeça. Quero voltar a morder goiabas colhidas no pé, catar azeitonas no chão, vigiar as atas amolecendo na fruteira... Quero arrancar folhas de bananeira para amarrar as pamonhas, raspar o tacho do doce de leite, roer as siriguelas maduras e chupar laranja aos gomos. Quero os riachos escorrendo em meus olhos e meus pés afundando na areia movediça dos sonhos; quero a madrugada silenciosa subindo nos punhos da rede e o barulho da chuva no telhado escrevendo poesia em meus ouvidos... Quero todas as veredas da serenidade que perdi ao deixar para trás as coisas pequenas para viver a ilusão das grandes.

Aíla Sampaio



Comentários

  1. Bom dia, novamente me encantando com seu tecer suave sobre a vida em forma de poemas.Vc tem dedos de anjo, mãos de fada e coração do tamanho do universo , capaz de fazer caber dentro de si toda poesia do mundo cantada em prosa e verso...vc encanta, decanta, parabéns Aíla,sou sua fã.Amo ler vc todos os dias,parabéns, que Deus abençoe vc grandemente,e obrigada por me proporcionar um pedacinho do céu ao le-la todas as manhãs...Eloisa

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  2. Obrigada por tão comovente texto. Minha infância chegou com cheiro de quintal e com todas as lembranças das frutas a que uma criança tem direito. Ai que tempo!

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