Entre o para sempre e o nunca mais


Ela esperava pelo consentimento dele para ir embora. Esperava ainda um olhar de reprovação para as malas feitas, uma desculpa qualquer para justificar aquela indiferença. O silêncio dele era impenetrável e ela se perdia em suposições. A ele não parecia importar se ela queria ou não entender; se havia ou não explicação. Nada mudou na paisagem durante a indecisão entre ir ou não-ir dela e a mudez dele que crescia como erva daninha no pensamento: ele continuou distante e calado como quem já disse tudo. Ela, como quem não entendeu, não foi embora nem ficou. Resolveu morar numa nesga do tempo entre o para sempre e o nunca mais, um lugar sombrio onde jamais a veriam sofrendo à espera do inesperado.

AílaSampaio

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