Inteireza



Alguma coisa mudou irremediavelmente dentro de mim. Como uma noite chuvosa que se esvai em sol pela manhã. Como um rio que correu demais e virou lagoa. Esperei por isso, mas só quando esqueci de esperar aconteceu: a sutileza da percepção, o reencontro com o há muito perdido; o tempo exíguo que se elastece sem esforço; a desnecessidade repentina do que já foi necessário; o não-sentir falta do que fazia falta e machucava. Veio sorrateiramente esse vazio que não é ausência, mas presença de satisfação sem o excesso de bagagens. Uma sensação de inteireza e desvontades fúteis, um estar no mundo sem barrulhos íntimos. É isso: o suficiente está sendo o bastante. Nada falta e nada excede. Sensação de plenitude... como a da aurora preparando o dia...


Aíla Sampaio

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