NÃO!



A maturidade só desconcerta os espelhos, quando refletem algum fio descolorido no cabelo, algum vinco mal projetado no rosto. Quando se faz a paz com eles, deixam de ser algozes... passam a ser apenas testemunhas uma história escrita pelos anos que tivemos o privilégio de viver. A maior benesse dessa fase é a capacidade de dizer NÃO. Por educação, aceitamos muitas vezes o que não nos convém...; por amor (ou o que se pensa ser amor), nos submetemos ao que nos desagrada... tudo em nome de uma harmonia que os anos, felizmente, desmascaram: era falsa, sustentada apenas pelos nossos sacrifícios. Na maturidade, descobrimos o quanto nos violentamos para agradar aos outros, que nem sempre necessitam desse sacrifício, na maioria das vezes nem valorizam. Descobrimos que éramos, na verdade, pretensiosos ao nos considerar imprescindíveis à nossa profissão, ao nosso parceiro, aos nossos filhos e amigos. Todos sobrevivem sem a nossa presença... nós é que não sobreviveremos se continuarmos a enxergar mais a necessidade alheia do que a nossa própria. Aprender a dizer NÃO e a descartar sem culpa o que nos machuca não é transformar-se em egoísta; é exercitar o amor-próprio e a liberdade de ter importância e valor diante de qualquer espelho.



[Aíla Sampaio]

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