sexta-feira, 29 de abril de 2011

Urgentemente



amor, aquele vendaval
que me descabelava
e me deixava ultimamente
de andrajos,
foi o último trapo que vesti
em tua homenagem. 
Não quero mais fantasiar-me de mulher feliz
nem andar à toa pelos estreitros becos
da solidão
que me deste por morada.

Quero a liberdade de não amar
urgentemente;
a nudez do teu corpo
(que era meu bem mais precioso)
podes levar,
não me fará nenhuma falta.

Aíla 

3 comentários:

  1. Querida Amiga, Aíla Sampaio,
    Muito obrigado pelo "Banho de Cultura" que me deu com este seu Blogue.
    Muito Obrigado!
    Abraço
    Carlos Leite Ribeiro

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  2. Aila, teu poema tem um desabafo maravilho de quem já sentiu o desamor, mas o que seria o desamor senão o amar e o amar a si para que a liberdade nasça no bojo do poema? Gosto da sua forma desprendida, uma suave e revoltada maneira de dizer “eu não te quero ou eu não te amo”. A poesia tem dessas coisas. Ora social, ora lírica. O eu-poético tenta se desprender da realidade e luta, urra quando o verso verseja por si! Quase não pode as palavras com o apelo do não. Mas como você mesma diz: “O amor, aquele vendaval”. Passa.

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  3. Carlos e Zé Leite... obrigada pela visita, pela leitura, pelos comentários. Que esse vendaval que é a minha cabeça tenha sempre a palavra pra não virar temporal. O comentário de vcs é precioso. Abs, Aíla

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