De outro tempo


Há em mim uma casa desabitada
perdida no abandono dos ventos
que sopram sem direção

há portas que batem silenciosas
atrás de um adeus sem data,
lágrimas nas paredes retintas
e trancas enferrujadas nos portais

há hera entranhada nas vigas,
nos muros e em minha alma,
fechando porteiras,
lacrando janelas
misturando-se ao musgo
que no jardim cresceu

Há em mim um silêncio quase sagrado
e a memória de um tempo que não é o meu.

Comentários

  1. Maravilha de blog, parabens. Indicarei nas minhas páginas, aguarde.
    Beijabrações
    www.luizalbertomachado.com.br

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