Todos os sábados

Ia sozinha levar os quiabos ao padre. Saia no joelho, lenço no cabelo para parecer educada no recato. Neta de Maria, afinal. Das frestas da janelinha da porta pronunciava um “ô de casa” tímido, quase tão pálido quanto os gerânios da janela sob o sol de agosto. Alguém vinha lá de dentro enxugando as mãos, com o agradecimento ensaiado.
No confessionário, os joelhos trêmulos, não podia dizer o que a invadia nas manhãs de sábado, quando tinha que atravessar a praça, de saia no joelho e lenço na cabeça com o saco de quiabo na mão. A tela, como as frestas, impedia seu rosto de ser. Era só a moça que ia levar os quiabos à casa do padre todos os sábados e nem ele sabia. Sem pecados confessáveis, não comungava. Não sabiam dela, mas ela sempre soube de si.

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