O mar...


Deu-se na Baixa Danta o acidente, já quase manhã. Carro virado e sangue. Morte não. Ainda. Correria em casa, Creuza arrumando a mala, iam para a capital. Clavícula fraturada, Creuza se angustiou, mas bem que gostou do movimento. A capital assim de repente, o hospital e uma folga para um volta na rua. Ver o mar, todo mundo recomendava. Ver o mar e seu cheiro molhado do jardim da casa da cunhada rica. Ah, viver ali com o barulho do mar... Sonho impossível. Era a Capão do Galo seu destino, com a casa cheia de negros em quem mandar: dar lavagem aos porcos, catar folhas, pegar galinha... Na capital ia ser mandada. Quero não. O mar que fique lá com suas espumas de sal. Nem andar sabia só, então melhor ser visita, ninguém se impacientava. Da Capão era senhora, cabeça de piaba... nunca rabo de tubarão... O marido ficou bom, Creuza voltou pra mandar...

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