Tua ausência





Aquele rumor de pássaros que eu ouvia quando me abraçavas
era a música do vento que trazias nas mãos. Eu e tu, feito um nó ligeiro que não desatava nunca... Lembro-me bem dos laços que criávamos, para enfeitar os nossos dias, e das flores que colhíamos um para o outro só com o olhar (para não maltratar as roseiras). Ah, meu bem, aquele farfalhar de folhas sob os nossos pés não tem mais o mesmo barulho; nem a lua veste mais as mesma cores para abrir a noite. Tudo ficou diferente depois da tua partida. Só eu continuo sentindo os mesmos sismos que me suspendiam do chão à tua chegada, mas sem ter quem me acalme o desassossego da alma e ponha fim ao crepitar dos círios que velam em mim a ausência dos teus abraços.

Aíla Sampaio





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