Descuidada





Tenho dormido sobre os sonhos, tropeçado nas esperanças. Ando descuidada com os espaços em branco, daí tanta permissão para rabiscos mal feitos, borrões e rasuras em minha história. Ando me escondendo do sol, mofando pelos armários, com hematomas na memória e escoriações na alma. Ando sangrando as palavras para que não sangre eu mesma, ou morra de tristeza e tédio como uma tela inacabada envelhecendo na parede. Ando sofrendo, mas sei que isso passa antes que eu peça a conta e vá embora.

Aíla Sampaio





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