Por que escrevo...





Costumo dizer aos meus alunos da disciplina Estética e Linguagem que a arte, além da função catártica de que falou Aristóteles, é, para mim, tão imprescindível e tão necessária como comer, ir ao banheiro e dormir. Ainda bem que a tenho para não morrer de verdade, como falou Nietzsche. Escolhi a literatura (ou ela me escolheu, já nem sei), porque ler e escrever são as minhas formas de conseguir equilíbrio e sobrevivência emocional. Por isso escrevo... para não ver as feridas abertas, para não sentir o coração em carne viva.



Escrevo para não gritar pela rua, feito louca que rasga a roupa e se desmancha em praça pública, na alegria legítima que só a insanidade permite; a diferença é que não nasci blindada pela inconsciência, pela ausência de censura, e tive que, a ferro e fogo, aprender a engolir as minhas dores... trago ainda muitas delas atravessadas na garganta e, quando chove, elas se movimentam, fazem barulho, para me mostrar que ainda estão vivas.

Escrevo para não morrer de repente de tédio; para não morrer de mágoa ou afogada em minhas próprias lágrimas. Escrevo para confirmar a minha existência; para sobreviver a mim mesma e aos meus enigmas; para não morrer à míngua ou exilada em meu próprio corpo. A palavra é o meu escudo! Com ela falo e escuto. Me visto e desnudo.Vivo e sobrevivo. Como infinito mistério, existo!

Comentários

  1. Legal. Gostei da intertextualidade desta prosa. Dialoga com vários textos.

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