
Entre uma e outra mão
desata-se meu corpo
em oferenda.
Cada dia empresto-me
um pouco mais
ao meu riso
à minha dor
ao rosto que não é meu
e continua a denunciar
minhas reações.
Entre teto e paredes
meu quarto espera-me entrar
em cena
e estrear meu drama.
Meu cenário são
essas quatro paredes
que me fitam, me insultam
mas não me escutam;
nada resolvem ou dizem,
só me acusam, me assustam
e me expulsam
como se eu fosse apenas
mais uma boneca.
Tão pouco resta da carne
à sobra do que me consome;
nem corpo nem vício,
faço-me na cumplicidade dos olhos,
dos dias que me aterram
e redescobrem.
Morro secretamente
E sem explicação;
Encontro-me todos os dias
E, diante de mim,
Descubro que não me pertenço.
(Do livro “Desesperadamente Nua” (1987))
Aíla, onde encontro p/ compra os livros Desesperadamente nua e Os fantásticos mistérios de Lygia??
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