Poemas, contos, imagens... palavras e silêncios. Mergulhos e naufrágios de AílaSampaio
sábado, 6 de maio de 2017
domingo, 12 de fevereiro de 2017
ORAÇÃO
Livra-me, Senhor, dessas horas de saudade
dessas exasperadas horas
que desafiam os ponteiros
e se eternizam como se fossem anos.
Tira-me essa sofreguidão do olhar
que se demora na lembrança
do que devo esquecer
e não permita que minhas inseguranças
me impeçam de tentar
o que posso conseguir .
Que o desengano não tome conta
nunca da minha alma
quando não for possível
atingir um objetivo
e que eu nunca use armas para mudar
a realidade que não seja a palavra justa.
Que os 'apesares' da vida não sejam jamais justificativas
para desistir de um sonho,
e que as pessoas que cruzarem o meu caminho
compreendam que não sou perfeita,
mas estou em busca de aperfeiçoamento.
Que eu só guarde dentro de mim
o que for bom
e nunca me arrependa do que fiz
ou deixei de fazer,
pois o que me motivou foi sempre
a verdade do meu coração.
dessas exasperadas horas
que desafiam os ponteiros
e se eternizam como se fossem anos.
Tira-me essa sofreguidão do olhar
que se demora na lembrança
do que devo esquecer
e não permita que minhas inseguranças
me impeçam de tentar
o que posso conseguir .
Que o desengano não tome conta
nunca da minha alma
quando não for possível
atingir um objetivo
e que eu nunca use armas para mudar
a realidade que não seja a palavra justa.
Que os 'apesares' da vida não sejam jamais justificativas
para desistir de um sonho,
e que as pessoas que cruzarem o meu caminho
compreendam que não sou perfeita,
mas estou em busca de aperfeiçoamento.
Que eu só guarde dentro de mim
o que for bom
e nunca me arrependa do que fiz
ou deixei de fazer,
pois o que me motivou foi sempre
a verdade do meu coração.
Aíla Sampaio
(Foto na Catedral de Sal - Zipakirá - Colômbia, 2016)
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Talvez
Ela sempre se apressa em mudar o rumo que os pensamentos tomam quando
atravessa a rua e sente a tarde cair sobre os flamboyants floridos. Há
qualquer punhal escondido sob o tapete de pétalas vermelhas que a faz
sangrar; há lembranças ainda úmidas da última primavera em que se sentiu
dona de um jardim. Talvez devesse jogar as recordações na primeira
chuva, para que o passado escorresse pelas quatro águas de sua memória.
Talvez devesse nunca esquecer que alguns amores já nascem com a data da
extremaunção; deixá-los vingar é permitir um crime contra a própria
felicidade.
Aíla Sampaio
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Ele
Ele
nunca chegava em horas quebradas ou pronunciava uma frase sem azulejar a
sintaxe; eu detestava formalidades e tinha um português sofrido. Ele
media, somava, ajustava os óculos e guardava um olhar para o encardido
das lembranças; eu fazia tudo por intuição, desordenada e perdida como
todas as mulheres que não nasceram para os serviços de casa. Ele nunca
me disse a que veio, mas eu sempre soube. Todo mistério tem as suas
brechas. Toda fresta tem um olho curioso pra encostar. Tínhamos, os
dois, uma vida só pelo lado de dentro, mas éramos diferentes demais para
ser tão parecidos e conviver sob o mesmo teto!
Aíla Sampaio
Carta ao tempo II
Ah, tempo tu não tens sido relativo pra mim. Andas escasso sempre e tens
me tirado de onde quero demorar-me. Tens arrancado as minhas melhores
páginas para que eu escreva novas, quando tudo o que eu queria era
passar aqueles rascunhos a limpo. Tá certo, eu precisava aprender que tu
não voltas, mas por que não me deixaste entender isso, na hora
adequada, pra que eu pudesse "salvar" os arquivos antes que tu os
deletasses? Não quero a vida no preto e branco da pressa, soterrada nas
buzinas dos carros, na lista do supermercado, nas contas a pagar. Não
sei viver no vermelho dos desencontros e das decepções, nas obrigações
afiveladas na agenda. Quero demorar-me no cheiro de lavanda dos lençóis,
nos poemas de Drummond e Adélia, no café da manhã com os meus filhos,
no abraço do homem que amo. Quero ser dona das minhas horas, senhora de
meus minutos e arbitrar sobre as minhas pausas.... Não quero desavenças
contigo, por isso te peço: vamos nos entender! Deixa que os meus
momentos me pertençam, que eu decida a velocidade dos ponteiros do meu
relógio!!!
Aíla Sampaio
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Calmaria
Não
quero mais a paixão, o arrebatamento da ansiedade, o desejo inadiável e
urgente que atravessa avenidas sem olhar o trânsito ou pula muros sem
medo de tiros. Não, não quero mais o que me inquieta a alma sem trégua,
o pensamento submisso às incertezas, mesmo com a embriaguez vadia dos
momentos fugazes. Quero mais não. Prefiro a placidez das certezas, a
cumplicidade dos olhares que escrevem as verdades mais silenciosas na
alma. Prefiro o abraço desapressado, a serenidade da espera e a
sobriedade dos gestos. Quero o amor com a sua calmaria de rio escorrendo
em minhas veias.
Aíla Sampaio
Assinar:
Postagens (Atom)
Viver é dar a cara a tapa
Sempre repito que o grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...
-
Aíla Sampaio (Escritora e Profa. Dra. da Seduc e da Unifor) A trilogia O Lado Mais Sombrio , de Milton Hatoum, se completa agora com ...
-
Sempre repito que o grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...
-
Devia ser d omingo e ela estava engordando. Mas fez a pergunta fatal e ele saiu sem dar resposta. Tão s...




