segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Saudades






Teu nome
salta-me dos olhos
e borra o papel.

Saudades não sabem escrever poemas.
 
 
 
Aíla Sampaio
 
 
 
 
 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Teus lugares em mim



                                                                                             Foto: Anabela Guerreiro



Teus lugares em mim
 

são cavernas antigas
veredas onde hibernas
após descruzados olhares 
e duas taças de gim

são palavras e lágrimas
portas que se fecham
barco que naufraga
qual passado assombrando a noite
 e sacudindo as vagas.



Aíla Sampaio 


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Coração em carne viva








Piso o asfalto molhado sem sapatos e saio a correr sobre as lembranças que o cheiro de chuva me traz. Sou outra vez a menina do meu pai, descabelada e austera, disfarçando as lágrimas em sorrisos para não perder a pose. Ah, como chorava atrás da porta aquela menina para que nem ela mesma visse! Como demorou a admitir sua alma azul, sua delicadeza de pássaro sem asas! Cobria com silêncios seu coração em carne viva, escondia as chagas das suas mãos em poemas, soterrava em solidão as fraturas expostas da alma. Mas algo dentro dela voava pelo infinito e tomava novas formas com a fome de vida que avançava em seus desejos, como uma luz que atravessa a escuridão. Ela continua pisando duro e olhando firme, mas aprendeu a dizer que ama quem ama, a esvaziar-se das mágoas, a perdoar e a perdoar-se, defendendo-se dos reveses da vida, mas não mais de si mesma.


Aíla Sampaio

Para sempre ou nunca mais


Recomeço


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016


o hoje




A cada dia a vida ganha um novo desenho com cores e traços inesperados. Não adianta querer aproveitar os rascunhos do ontem nem os rabiscos do amanhã. O hoje é absolutamente autônomo em sua novidade.

Aila Sampaio

Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...