quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Destino

Ah, destino!
enquanto te ocupas em marcar
o meu próximo passo,
um pássaro me oferta suas asas
e o sol arrefece seus raios
para me ver alçar voo.

E quando penso que enfim driblei
a tua fúria, tu, agasalhado na
imponderável sina, não respeitas
meu desejo de rasgar as distâncias.
Ris da minha pretensão de querer
arrebentar as amarras
e astuciosamente planejas a minha queda.

E tão bruscamente me fazes enxergar
que era de crepom o pássaro e inconsistentes
as asas, que esqueço de te condenar
e me censuro por sonhar tão alto.


Aíla Sampaio

A cidade


A cidade me esconde
entre ruas e esquinas,
perdida em mim
como suas avenidas
entre semáforos e arranha-céus.

Não sabe do mundo inteiro
que dorme
quando fecho os olhos
nem que suas ruas e casas
são apenas artérias de um corpo
onde a geografia
não dimensionou mapas.

A cidade me esconde
sob suas luzes
e seu cheiro de mar
e não percebe
nos subterrâneos abismos
dos meus olhos,
um coração que pulsa
e é maior que ela.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ante o sol posto


Não é verdade que eu te esqueci.
Se me esquivo ante o sol posto,
é que sob os escombros da memória,
dorme sossegada a tua ausência
e já não posso levantar
o véu de impossibilidades
que cobre o teu rosto.

Procuro-te com o pensamento
e, de olhos fechados, te contemplo,
mas não sentes minha mão
a acariciar-te com os gestos
nem minha boca a beijar-te
como se fizesse uma oração.

Atrás desse muro de hera
que ergui com o silêncio
das ausências inevitáveis,
abri uma janela pra minha solidão
e, através dela, te vejo passar,
meu amor, todos os dias,
sempre noutra direção...

Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...