Sempre repito que o grande
entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas já destruíram muitos relacionamentos. Os confrontos são necessários para abrir portas ou fechá-las definitivamente, afinal, pelas "fendas e brechas" das portas entreabertas, só passam "meias verdades e muita insensatez". Deixa a porta entreaberta quem, sob o pretexto
de "não complicar mais" uma situação ou, mais covardemente, de "não falar" para, assim, se safar de um
possível julgamento, usa o silêncio, achando que, por cansaço, o
outro desiste de uma explicação.
De todas as
atitudes para se livrar de uma situação, essa é a mais perversa: sair de uma
relação sem dar os motivos, sem explicar-se; usar o silêncio para proteger-se
de um confronto, para não assumir que “não quer mais” e, assim, “magoar menos”
e não ficar mal na fita. São pessoas que não querem pagar o preço por suas
escolhas, que acham que não haverá consequências, como se “não falar” atenuasse
a culpa que soterra em seu egoísmo. São, em geral, pessoas narcisistas,
incapazes de se colocar no lugar do outro ou de enfrentar suas próprias
verdades.
Para sermos
honestos com as nossas vontades e escolhas é necessário agir honestamente com o
outro. A pior verdade deve ser dita, jamais silenciada; pode-se escolher o
momento, mas nunca desviar-se dele ou não enfrentar o “confronto”, porque não
quer se complicar ou quer evitar sofrimento. A pessoa não pensa em não magoar o
outo. Na verdade, quer eximir-se de responsabilidade, fugir de explicações, safar-se
se mácula à sua falsa bondade. Pouco importa o que o outro sente/ pouco importa
todo o lixo acumulado debaixo do tapeta, afinal, esse tipo de gente vive na superfície
de todas as coisas, é incapaz de um mergulho que areje os olhos e a alma. Esse
tipo de gente não sabe que cava um abismo onde findará seca e só.
Encontrei pessoas
assim em meu caminho e pude experimentar seu caráter egoísta e covarde; sua
cortesia plastificada, impiedosa, cruel e sua incapacidade para a vida
travestida de serenidade. Viver é dar a cara a tapa, aprender a cair e a sair
dos abismos. É preciso coragem para assumir as atitudes e as escolhas, entender
que o outro tem o direito de saber o que lhe diz respeito, ainda que doa. Fora
disso não há dignidade. O que há é uma maldade nada ingênua. E o que a pessoa
sente é ilusão de paz, porque o efeito rebote é inevitável...
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