Aíla Sampaio
Poemas, contos, imagens... palavras e silêncios. Mergulhos e naufrágios de AílaSampaio
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
A vida
(Par de Botas - Van Gogh)
Descalcemos as botas lamacentas da arrogância e pisemos nosso orgulho. Todo sentimento de superioridade inferioriza a alma. Não somos mais nem menos que os outros, somos parte de um todo, uma das células do organismo desse cosmo que agoniza diante dos nossos olhos. Precisamos extirpar o tumor das vaidades, debelar as epidemias de egoísmo e prepotência para que possamos atravessar a vida sem muletas, sem tantos analgésicos e julgamentos. Que nos vejamos no outro e a ele não façamos o que nos machucaria; que possamos atravessar nossos próprios muros e abrir as portas da nossa casa-coração para o pomar que plantamos do lado de fora... Só aí saberemos o resultado das sementes que distribuímos com descuido, enquanto o tempo nos consumia na luta... só aí conheceremos o sabor (acre ou doce) dos frutos que cultivamos. O que somos será sempre resultado do que fomos e fizemos. A vida é inexoravelmente uma via de mão dupla. Não há ida sem retorno.
Aíla Sampaio
Descalcemos as botas lamacentas da arrogância e pisemos nosso orgulho. Todo sentimento de superioridade inferioriza a alma. Não somos mais nem menos que os outros, somos parte de um todo, uma das células do organismo desse cosmo que agoniza diante dos nossos olhos. Precisamos extirpar o tumor das vaidades, debelar as epidemias de egoísmo e prepotência para que possamos atravessar a vida sem muletas, sem tantos analgésicos e julgamentos. Que nos vejamos no outro e a ele não façamos o que nos machucaria; que possamos atravessar nossos próprios muros e abrir as portas da nossa casa-coração para o pomar que plantamos do lado de fora... Só aí saberemos o resultado das sementes que distribuímos com descuido, enquanto o tempo nos consumia na luta... só aí conheceremos o sabor (acre ou doce) dos frutos que cultivamos. O que somos será sempre resultado do que fomos e fizemos. A vida é inexoravelmente uma via de mão dupla. Não há ida sem retorno.
Aíla Sampaio
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A paixão
A paixão faz com que troquemos as cores, os dias e as horas. Arrebata-nos, tira-nos certos sensos, idiotiza-nos, por vezes. Isso é maravilhosamente humano. Por algum tempo nos admitimos surdos, cegos; embevecidos, nos doamos incondicionalmente, mas chega um momento em que as cores recuperam suas matizes, os dias retornam à cronologia do calendário, e os ponteiros do relógio voltam a funcionar em sentido horário... era só mais um sonho de Ícaro; só mais um sentimento que não resistiu à luz do dia! É lucro não perder o eixo e manter as asas... o resto é sobra de festa, não se faz questão.
Aíla Sampaio
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Vazio
Despossuir-te custou-me a posse de um vazio infinito, de uma solidão incapaz de deixar-me sozinha comigo mesma.
A tua falta me habita como qualquer órgão que me mantém viva na armadura do corpo.
Aíla Sampaio
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Me dou o luxo...
Sou daquelas pessoas que têm a alma distraída e atravessam a vida com confiança, sem medo de cruzar becos escuros e estradas movimentadas... que diz o que sente e sente o que diz, olha no olho e acredita no que ouve, porque não acha que as pessoas tenham razões para mentir ou motivos para enganar... que não sabe representar personagens nem diz sim às tentações narcísicas que alguns minutos de sucesso põem à mesa. Nessa imperfeição toda de quem tem o coração à mostra num mundo tão doente, já pulei muitos muros traiçoeiros, atravessei mares raivosos e venci tempestades. O mais difícil, porém, foi/é sobreviver à fúria dos vaidosos contrariados e às epidemias de falsidades e desamor...
Depois de tantos caminhos percorridos, tantos erros e acertos, me dou o luxo de só ter como amigo quem compreende a língua do coração e sabe ler a poesia da vida, quem tem a alma distraída de maldades; quem é incapaz de uma indelicadeza por palavra, ato ou omissão, quem não concebe a bondade como escambo e se admite falível. Sou muito imperfeita para conviver com os deuses sem maculá-los. Ou com demônios sem não feri-los.
Por isso não me causa nenhuma dor eliminar os atiradores nem os jogadores acostumados a fazer da vida um bingo ou um carteado, não me fere nenhum princípio deixar de acender vela para os falsos santos ou expulsar do meu templo os sepulcros caiados... Tenho muita preguiça pra ser infeliz e falta-me disposição pra viver triste e insatisfeita perto de quem não é falível e maravilhosamente complexo como os seres verdadeiramente humanos. Quem não se sentir elo de corrente que se desgarre... só acredito na vida que se faz pela união, pela compreensão mútua e pelo amor incondicional.
Aíla Sampaio
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Desistência
Nunca se desiste totalmente de um amor a quem se disse adeus racionalmente. Fica, em algum compartimento da alma, um desejo de ter tomado a decisão errada; fica no coração uma sala desocupada e silenciosa onde se vela um morto que não pode ser enterrado.
Aíla Sampaio
Assinar:
Postagens (Atom)
Viver é dar a cara a tapa
Sempre repito que o grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...
-
Aíla Sampaio (Escritora e Profa. Dra. da Seduc e da Unifor) A trilogia O Lado Mais Sombrio , de Milton Hatoum, se completa agora com ...
-
Sempre repito que o grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...
-
Devia ser d omingo e ela estava engordando. Mas fez a pergunta fatal e ele saiu sem dar resposta. Tão s...




