Quando eu era menina e morava no interior, ia à missa todos os domingos, às 9h da manhã (a única missa celebrada na cidade), como uma obrigação imposta pela minha mãe que, certamente, fazia o melhor pelos filhos. Na verdade, eu queria continuar dormindo, mas entendia que castigos viriam da minha transgressão... a culpa católica me foi inseminada desde bem cedo. Nas quarta-feiras de cinza, a missa ...também era obrigatória. Nesse dia, se recebia a marca de cinzas na testa e com ela ficávamos até o pôr do sol. Só muito depois entendi o significado: o dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
No Catolicismo Romano, é um dia de jejum e abstinência. Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia depois da “terça-feira gorda” ou Mardi Gras, o último dia da temporada de Carnaval, a festa dos excessos, da fantasia. Na quarta, as pessoas voltam à realidade e assumem o seu ‘verdadeiro’ rosto, a vida como ela é. Independente de crença religiosa, a quarta, após um longo feriado vivido (ou não) na folia, é dia de um mergulho no mais íntimo do nosso ser para a conversão do coração. Todo dia é propício a recomeço, renovação, mas a quarta de cinzas é símbolo disso tudo. Carpe diem!
[Aíla Sampaio]
Poemas, contos, imagens... palavras e silêncios. Mergulhos e naufrágios de AílaSampaio
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
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