domingo, 27 de dezembro de 2015

Entre o nada e a mágoa




Dos incêndios de que fui labareda
restam as cinzas.
Nada permanece, nem mesmo o sentimento:
estreita vereda por onde os córregos
desviam as águas...

Entre o nada e a mágoa
escrevo e, 
com a minha palavra,
um novo dia nasce
devorando a carne do tempo
refletindo nos espelhos
a minha perdida face.

Se é de vento a nossa casa no mundo
se tudo é vão ante o tufão
da morte que tudo arrasta
e finda até o que mal tem começado,
que seja intensa a vida
e bem colhido cada dia...

que vire flor todo punhal arremessado!

*
Aíla Sampaio




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Mais um ano termina...





A cada ano que termina tenho a impressão de que se fecha um novo ciclo. Impressão apenas, porque do dia 31 de dezembro passamos para 1 de janeiro sem que mude a cor dos nossos olhos, sem que a conta bancária engorde ou os planetas mudem de rota. Mas o que é a vida senão impressões? Tudo é simbólico e nos chega pela representação que fazemos. Se eu penso que tudo se modifica porque o ano virou, se eu penso que terei dias melhores e os meus projetos tão adiados se realizarão, vai ver que será assim mesmo. O querer e o pensar têm força. Dizem. Pode ser que sim. Na dúvida, vou à luta: sonhando, imaginando, realizando. Esperando o melhor, transformando o 'pior' que à vezes recebo... imperfeita como sempre, mas sem pretensões de canonização... Quero apenas melhorar, sair do vermelho emocional, criar laços que não desatem tão fácil, rir mais junto aos que amo, ser mais compreensiva com os que estão vivos mas ainda não nasceram... (Ò Deus, onde paciência com os imaturos que não querem sair do verde nunca???). Continuarei preferindo fazer inimigos com a minha sinceridade a fingir um samaritanismo que não me identifica! Feliz vida a todos!



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Palimpsesto






Não herdamos somente a cor dos olhos ou o terreno na praia. Herdamos jeitos e trejeitos, modos de pensar e destinos. Podemos nos desligar geograficamente das nossas raízes e até negá-las, mas não podemos jamais arrancá-las. Somos um palimpsesto onde a história dos nossos antepassados se reescreve.

Aíla Sampaio





domingo, 6 de dezembro de 2015

Paisagem suspensa





Há em ti uma paisagem suspensa, uma escuridão qualquer entre a realidade e o sonho. Meu olhar te atravessa e desnuda, não teme o confronto, parece que sabe os caminhos que deve percorrer e as esquinas que deve evitar.

Aíla Sampaio





segunda-feira, 9 de novembro de 2015

É preciso matar e morrer pra continuar vivendo

Nunca mais te direi o que me entristece nem os motivos da minha insônia. Nunca mais ouvirás o meu chamado nem saberás do quanto andei triste, bordando as tardes com lágrimas que nem o sol conseguiu secar. 

Deixei a noite  atravessar os meus dias numa impertinência voraz de pássaros sonâmbulos, para que a minha boca mastigasse o  teu nome. Nunca mais o pronunciei desde  o tratado de paz silencioso que usamos para nos proteger da dor. 

Evitamos o confronto das nossas razões, mas a memória, fustigada pela falta que fazemos um ao outro, sempre busca uma faca para cortar as flores que plantamos em nossas lembranças. Ninguém se separa de quem ama impunemente.

É preciso desconstruir as imagens, rasgar as alegrias congeladas nos ideais que insistem, reavivar as farpas, desalgemar-se das ilusões e dormir sobre as mágoas redivivas pra caminhar rumo ao esquecimento. É preciso matar e morrer pra continuar vivendo.

Aila Sampaio

Tempo de estio







Tempo de estio: 
pedras no caminho 
e coração vazio.

Aíla Sampaio 


 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...