quarta-feira, 16 de julho de 2014

Do mar que eu via em teus olhos restou apenas o naufrágio...

Aíla Sampaio




O tempo nos obriga a ir e a deixar ir... as pessoas passam, nós passamos. O que fica é a marca do que fomos, a marca do que foram os que amamos e, por alguma razão, tiveram que partir. É, Quintana, "quando chove, tudo faz tanto tempo"... saudades se desenterram e a poesia invade.

Aíla Sampaio

Sinto falta...






Sinto falta das sombras fartas sobre os quintais bem varridos da minha infância; do cheiro dos livros novos que marcavam o início de um novo ano; do perfume de alecrim que entrava pela janela do quarto, sempre aberta para a vida; da importância que tinha cada coisa nova que chegava. Sinto falta de não ter medo do escuro, de espreitar os relâmpagos nos dias em que chuva tamborilava nos telhados uma canção de paz. Sinto falta da voz do meu avô dentro das noites em que eu me escondia de mim mesma, encandeada pelos pirilampos, ensurdecida pelas cantigas dos grilos que ninavam o meu sono. Sinto falta da menina que eu quase fui, da criança que se fez sozinha no silêncio dos invernos, amedrontada pelas incertezas arrefecidas no cheiro de querosene das lamparinas. Não havia estrada. Eu mesma abri veredas com a foice do desejo e a avidez dos olhos que morriam de vontade de chegar aonde estou. Hoje, depois da travessia de todos os desertos, eu só queria encontrar o caminho de volta...

Aíla Sampaio 



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Teu sorriso


 
 
 
O arco-íris que desenhas no céu com o teu sorriso
 muda o meu rumo, aponta outra estrada;
 dá cor aos meus dias mais banais,
 sem que seja preciso uma palavra!
 
 
Aíla Sampaio
 
 
 
 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sem oscilação







Descalça-me desses sapatos altos e me põe de volta no chão. Quero um amor consistente feito tronco de baobá, sem oscilação de nuvens e sem risco de ser levado pelo vento.

Aíla Sampaio



De sobrevoo








Vou-me embora de mim por uns tempos, preciso de férias desse jeito intenso de sentir as coisas, dessa mania de querer carregar o mundo nas costas e sentir culpa pelo que não posso dar conta. Vou olhar tudo de sobrevoo, como quem, desmemoriada, está ausente até dos próprios pensamentos.

Aíla Sampaio 




(Quadro de René Magritte)


O tempo






O tempo apequena as coisas que julgávamos grandes. Não porque elas mudem de tamanho, mas porque o nosso olhar adquire novas dimensões para mensurá-las.

Aíla Sampaio 






Vou sempre além de, ultrapasso medidas, passo dos limites, conjugo o verbo amar em todas as pessoas, tempos e modos, e arrisco todas as fichas numa só jogada. Prefiro de repente não-ser a ser pela metade.
 Aíla Sampaio







Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...