quinta-feira, 12 de março de 2009

MENTIRA


O desespero do mar
a quebrar nas pedras
é não poder tocar o céu
e viver essa ilusão
que os nossos olhos criaram
num ponto distante

Igual é o meu motivo
de ser triste:
ser lua e saber-te sol
viver da tua luz
sem poder ver que é
em mim que ela inside

De nada adianta eu pensar
que és minha fonte de vida
se o que eu sonhava - o eclipse -
é mentira, tal
o encontro do céu com o mar
na distraída linha do horizonte

Aíla Sampaio
11/02/2009

domingo, 7 de dezembro de 2008

Um dia...


Um dia, meu amor, meus braços nus
hão de vencer as noites e abatê-las,
quando, depostas a treva e a cruz,
o meu olhar cantar em síncope de luz
a eterna melodia das estrelas.
E o final, como um canto de magia,
seremos nós, das folhas à raiz.
E será tão perfeita a sinfonia
que o próprio Deus que fez a noite e o dia
dos céus distantes há de gritar: "bis!"


(ACB - 07/12/2008)

Fado


Nesse fado que te cansa
e que Deus, do Céu governa,
eu deixarei também a lembrança
mas uma lembrança eterna.
De mim tens horas cheias
(pois já deixei o sol do meu sangue)
a aquecer tuas veias.
Se te sentes sem guarida
que esta idéia te conforte:
Deixei em ti minha vida
à espera da tua morte.


(ACB - 07/12/2008))

Plenitude


Numa insistência hostil, quase feroz,
ainda que muito lutes,
tu ficarás a ouvir minha voz
em qualquer voz que escutes.
Sempre serei contigo em toda parte,
em plenitude como as marés cheias
- Eu a vibrar em tua arte.
Se Deus mandou que eu fosse teu amor
desfaz o teu desejo em fumo
para esse combate sem parceiro,
pois nem tu, nem eu, seja lá quem for
pode mudar o rumo
ao rumo que tem Deus por timoneiro


(ACB)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Caixinha polonesa










Guardo teu coração
como uma jóia preciosa
como dádiva de amor
para durar a vida inteira.
Guardo teu coração em segredo
como uma prenda valiosa
dentro de uma caixinha polonesa...

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

ITINERÁRIO DA EMOÇÃO


Quem faz uma mulher
faz uma tarde
e seus vestígios poentes.
Faz a noite
e, num só momento,
faz igual
o que, por desigual,
é diferente.

O primeiro homem
é sempre a primeira estrela
a aparecer no céu
mas não é a única.
Novas noites acordam o delírio
de um dia à frente
se não se encontra no crepúsculo
o itinerário da emoção
que é etérea e não passa nunca

(do livro “Amálgama” (1991))

NÓS


um
e
outro

Nunca
dois

Juntos
por
um instante
eternamente

Definitivamente
distantes
depois

(Do livro "Amálgama (1991))

Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...