sábado, 23 de março de 2013

Dias








Há dias exclusivos para que façamos os deveres de casa, tecidos mesmo com as linhas do aconchego e da ternura; dias para olhar pra dentro, deixar a alma hibernar, juntar os pensamentos dispersos, equilibrar a corda bamba da vida e abraçar somente as nossas vontades. Há dias que nascem para que sejamos a nossa própria prioridade; para que preparemos o depois em silêncio e sem pressa... Há dias que se querem exclusivamente nossos!

Aíla Sampaio

Nobreza








Teu amor funda reinos em mim,
brinca de nobreza em meus olhos
e ergue castelos monumentais
no meio da erva-daninha do desengano.
Teu amor é promessa de jardins suspensos,
portas altas, paredes largas e muitos vitrais
para a travessia do sol.
Teu amor é a lua numa noite escura,
é tudo o que eu quis que fosse feito
do meu destino de navegante sem porto.

Aíla Sampaio

quarta-feira, 13 de março de 2013

Exílio




Amo-te






Amo-te. Não de agora que te conheço o rosto.
Amo-te desde a imagem desenhada em meus desejos.
Amo-te com o colorido dos romances românticos 
e as cores gris da realidade
sem janelas nem serenatas nem cavalo branco. 
Amo-te com a naturalidade de um pássaro que canta; 
de um rio que desliza suas águas na mansidão do dia, 
com a alegria da manhã que em mim nasceu.
Amo-te com os meus olhos, meus ouvidos, minha boca;
com o coração e a cabeça, amo-te 
e sinto a tua ausência com o corpo todo, 
como se a tua falta fosse a falta de um pedaço meu.
Aíla Sampaio



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Perder-te II





Perder-te seria como voltar ao casulo sem mais possibilidade de virar borboleta; voltar ao marco zero do ventre que não mais fecunda. Eu só suportaria se pudesse dormir para sempre.

Aíla Sampaio



Fazes-me falta




Fazes-me falta quando, à noite,o silêncio das estrelas vira luz em meus olhos e não posso dividi-lo contigo; quando o sono se perde em devaneios e preciso abraçar o travesseiro para sentir a pulsação do meu próprio corpo noutro. Fazes-me falta quando amanheço atrasada para o dia e não há sol para aquecer-me, nem agasalho para o frio que gela as minhas mãos órfãs das tuas. As horas correm lentas, arrastando o tempo desperdiçado em saudades e jogando o inevitável em nossas vontades vãs. Cruzo os braços para ver a vida escorrer rápida e sigo em frente como se não carregasse comigo um espaço vazio, uma ausência tatuada a ferro e fogo no corpo e na alma.

Aíla Sampaio




Perder-te





Tu estás em mim 
como uma parte minha indivisível.

Perder-te seria mutilar-me.

Aíla Sampaio








Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...