terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tudo





Dou-te a minha palavra.

Tudo o que sou está nela:
a minha verdade, coragem reinventada
nos sobressaltos do imprevisível,
e o meu poema: lírio inscrito na pedra.

Dou-te um novelo de peripécias 
e um grito que te pede 
socorro e zelo;
uma história sem fadas,
e teu nome escrito em minha boca
como um beijo. 

Dou-te o que me falta e o que me sobra,
o que me organiza e desordena,
a minha primeira alegria e a derradeira.
Dou-te, por fim, o meu momento 
e tudo o que restar da minha vida inteira.

Aíla Sampaio






quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Saudade


Tua ausência





Aquele rumor de pássaros que eu ouvia quando me abraçavas
era a música do vento que trazias nas mãos. Eu e tu, feito um nó ligeiro que não desatava nunca... Lembro-me bem dos laços que criávamos, para enfeitar os nossos dias, e das flores que colhíamos um para o outro só com o olhar (para não maltratar as roseiras). Ah, meu bem, aquele farfalhar de folhas sob os nossos pés não tem mais o mesmo barulho; nem a lua veste mais as mesma cores para abrir a noite. Tudo ficou diferente depois da tua partida. Só eu continuo sentindo os mesmos sismos que me suspendiam do chão à tua chegada, mas sem ter quem me acalme o desassossego da alma e ponha fim ao crepitar dos círios que velam em mim a ausência dos teus abraços.

Aíla Sampaio





sábado, 5 de janeiro de 2013

Já não é segredo



Já não é segredo que te amo.


Essa inquietude da lua mudando de fases,
esse movimento ininterrupto das ondas 
a quebrar nas pedras,
como disfarçar?

Não, já não é segredo que te amo.
Como poderia ser segredo o vento
que abre as cortinas pela manhã;
ou o sol que murmura claridade em nossa pele?

O teu amor, meu bem, é a indisfarçável luz 
de todos os meus dias;
é a alegria incontida dos rios que correm para o mar. 

Aíla Sampaio




domingo, 9 de dezembro de 2012

Tudo






Tudo em mim clama por ti:
meu sol se pondo, 
minha lua minguante
meus tempestivos silêncios.
Tudo grita teu nome e se exalta
a cada estrela que cai 
quando te procuro e não te encontro.

Tudo me diz da tua presença,
mas nada vejo além do horizonte
que os teus olhos não querem alcançar.


Aíla Sampaio



(Foto: Lagoa Azul - Jericoacoara - www.google/imagens.com)

Desordem





Coloque os meus pensamentos em desordem!

Ando cansada de linhas retas,

de ser assídua e pontual

como os ponteiros de um relógio.

Quero o seu sentido anti-horário

e seu percurso fora do tempo.

Fale bobagens nos meus ouvidos.

Ando cansada de assuntos sérios

e acontecimentos graves;

ando costurando as horas

com um cansaço lento para

atravessar os dias que rápido anoitecem!

Apressa-te e entra no meu poema,

que ri da métrica e rasga as rimas,

para encontrar nas palavras um norte.

Diga que me ama

antes que a tua indecisão me deixe exausta

e acorde a minha indiferença.




Ela é sempre definitiva como a morte.




Aíla Sampaio

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Tua verdadeira pátria





Eu roubaria o fogo dos deuses
e enfrentaria a fúria de Posseidon
para que tu  cruzasses o mar, 
e, como os teus antepassados,
errasses o caminho das Índias
e pudesses chegar ao meu país. 
Eu aprenderia as artimanhas de Hera
e a sabedoria de Atenas
para que o teu coração navegante
se tornasse o meu porto seguro.

Eu roubaria os feitiços de Circe
e a paciência de Penélope,
para fazer-te ficar em meus braços
como quem volta pra casa.
E te contaria todas as histórias
que Sherazade sabia
para encantar-te com o meu amor,
até que ele te lavasse definitivamente
ao meu corpo - tua verdadeira pátria.

Aíla Sampaio 




Viver é dar a cara a tapa

           Sempre repito que o  grande entrave das relações é a falta de diálogo. O silêncio, a omissão de opiniões, sentimentos e dúvidas j...