terça-feira, 14 de agosto de 2007

Vida emprestada

O pai, ah, o pai era doente dos instintos. Não podia ver mulher que os olhos e mais o resto do corpo arregalavam-se. Ele era são; gostava, mas como todo homem nascido macho. Puxava a fama e a inteireza de sua palavra dada e levada até o fim. Nada mais.
Casou com Creuza, plana de corpo e alma. Antipática, ela contrastava com o riso fácil do marido. O marido que o pai não quis pra ela, que não merecia o sogro. Ela não seria feliz, mas foi.
Foi... até o dia em que o carro virou e ele nem mais precisou ir à capital. Tudo ficou resolvido ali mesmo. Era o mar o destino de Creuza, e a solidão, e a vida emprestada para sempre. O pai viveu mais...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dança de enganos e as fissuras da memória

  Aíla Sampaio (Escritora e Profa. Dra. da Seduc e da Unifor)     A trilogia  O Lado Mais Sombrio , de Milton Hatoum, se completa agora com ...