sexta-feira, 29 de julho de 2011

O verdadeiro



O tempo arranca a importância de certas coisas e mostra que é preciso esperar seu crivo para saber o real valor delas. O que é verdadeiro permanece, a despeito de circunstâncias e contingências. O que é falso se desmancha fácil, evapora ao menor descuido.
(Aíla)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

À toa



Eu andei à toa pela tarde
escrevendo teu nome nos muros
cobertos de hera
e te imaginando à noite sozinho
lendo e relendo o papel amarelado das minhas cartas.
Se pudesse, adivinharia a cor dos lençóis
que te envolvem
e fotografaria cada reação
só para não esquecer o modo
como minhas palavras beijam teus olhos...

Aíla

domingo, 24 de julho de 2011

Ah, Orides...


Tão bom se eu tivesse acordado antes do epílogo... teria escrito outro desfecho para a nossa história. Mas não acordei e a realidade bateu à porta pra me dizer que não foi um sonho. Pesadelo à luz do dia é ruim porque a gente não tem como escapar acordando... Ah, Orides, você tinha razão: o real nos doerá para sempre!



Aíla

Atire a primeira pedra

*


Atire a primeira pedra aquele que nunca se equivocou ao tomar uma decisão, que nunca se apaixonou pela pessoa errada ou contrariou um dos mandamentos... a hipocrisia maior está não em fingir que não se cometem erros, mas em cometê-los e, mesmo assim, julgar os outros e destituir seu valor por conta de algum ato impensado ou inconsequente. A maturidade traz a benesse de se importar pouco com a censura alheia, sobretudo quando ela parte de quem não faz nenhuma diferença no desfecho das histórias.



Dizer 'não' é uma conquista que nos torna mais honestos com a nossa própria vida... Quero continuar me dando o direito de errar e viver o que meu coração pedir, procurando não magoar os outros, mas respeitando a mim mesma, sem trair minhas vontades nem minhas convicções! Não me violentarei nunca mais para agardar terceiros, pois descobri que essa é uma missão impossível. Vamos ser felizes, respeitando as diferenças e nos permitindo ser humanos, simplesmente humanos! Quem for infalível, incapaz de um deslize, procure um psicanalista, porque está no lugar errado... lugar de santo é no céu, não na terra, esse planeta de expiação que tentamos, pelo exercício da amor, da amizade e da generosidade, fazer um lugar de comunhão.






Aíla Sampaio


*

domingo, 17 de julho de 2011

Datas



Jazem dezembros e natais
em minha memória
como restos de uma festa
quase sempre trágica.

Saudades se avolumam na bagagem
ano a ano,
desbotando os enfeites da árvore que já não monto.
Um rosário de penas  perde as contas
em minha lembrança
e revive em mim o destino
da pequena vendedora de fósforos.

Se pudesse, eu tiraria as datas do coração
e as deixaria só no calendário.

Aíla




quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sem dor


Finalmente vi, sem dor,
teu olhar colher a tarde
e o vento cobrir-te do vermelho-alaranjado
que desceu do céu.

Não eras mais meu...
parei para ver-te
desvestido do meu amor
e me lembrei dos beijos que me negaste,
dos demorados abraços
que esperei em vão a cada noite.

Naquela tarde, ali, diante das árvores,
eras apenas um homem sozinho
e já não me inquietavas;
deixei a tarde ensanguentar-se em ti
e, sem dor, sem mágoa ou saudade
percebi que havias saído para sempre
de dentro de mim.

Aíla

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Silêncios


Daquelas tardes só ficou o outono
sob a melancolia do sol avermelhado
que fazia arco-íris em teus cabelos.
O resto passou como água de rio;
escorreu, fez-se córrego e desmanchou-se
mar adentro, feito espuma e sal.
Dos meus olhos não caiu
nenhuma lágrima.
Da minha boca
não saiu uma só palavra.
Tudo foi vivido à exaustão.
Nenhuma lembrança ficou
para derrubar essa parede de silêncios
que se ergueu entre nós.
Como uma navalha que não corta,
faca cega que fura sem incisão
passaste como ventania 
e fechaste
todas as minhas portas.

Aíla

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tumulto





Rasguei tuas fotografias;
de joelhos, desfiz as juras,
como quem pede perdão,
e mergulhei nas águas geladas
da última manhã de maio.
Não em silêncio absoluto.
Um tumulto sem voz
e uma tristeza aguda
gritaram pelos meus olhos
e lavaram a perplexidade
do meu rosto, enterrando no peito
uma dor superlativa e muda.



Aíla
 
 
 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Quase setembro


Já era quase setembro
quando você chegou
com a eternidade nos olhos.

Na bagagem, promessas de cuidados
e futuros,
mas nem por isso
deixei que desfizesse as malas
ou acreditei que o mundo não acabaria
dias depois.

A paixão é erva perigosa
cobra que se enrosca
e sufoca se nos descuidarmos.

Aíla

À espera de um eclipse

Quando ouvi tua voz pela primeira vez, uma explosão de silêncios me fez entender que nunca mais eu seria a mesma pessoa. Teu ros...