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Mostrando postagens de Março, 2011

O destino e eu

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De vez em quando, brigo com o destino e jogo suas petições no lixo. Depois ele volta supremo e mostra que quem manda é ele. Aí eu me curvo e aceito os vereditos até a primeira oportunidade de pular o muro e fugir dele de novo. Assim seguimos nossa saga de encontros e desenconcontros... não sei se ele me leva a sério, mas eu o levo! Como todo casamento, temos altos e baixos, mas estamos sempre lado a lado... há outro jeito?

Tortos horizontes

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De malas sempre prontas a pele em febre, sou a que se despede, a que vive à flor da pele, como um vulcão soterrado que nunca explode.
De olhos entreabertos vejo o mundo e, qual Ismália, na torre do castelo, enxergo somente luas e tortos horizontes. Sou pedra no caminho, barco à deriva, a que nunca está a tempo, chega sempre depois... ou sai antes.



Feridas abertas

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O tenebroso do tempo não é o que ele leva, mas o que ele deixa em fratura exposta.
Rápido ele passa com os bons ventos, mas lento se arrasta nas feridas abertas que deixa à mostra. 

Vulcão em lavas

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Eu te olhei como uma ave com vontade de voar. Abri as asas, fiz sinal com os olhos, depois vesti meu desejo com palavras.
Tu, elemento da água, e eu, da terra, feito vulcão em lavas, desafiando o ar, com uma só asa e sem chão onde pousar.

Reverdecer

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Ao meu Zeca

Ter-te foi reverdecer-me, reaprender a andar e a tatear o mundo de olhos fechados.
Ver-te é renascer, é crer-me infinita, plena de poder diante dos 'navios ancorados no espaço'.


Espelho

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À minha Ju
Ver-te sendo é ver-me ser como fui um dia.
Olhando-te, vejo-me outra vez amanhecendo sem medo do que virá.
Contigo aprendo o que fui, o que sou e o que serás.





Vazio

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Ficou um vazio, um preto e branco nas coisas, como se tivessem todas perdido a cor. Ficou, como uma página em branco, o  desejo de redesenhar a vida quando já se haviam quebrado os pincéis e secado todas a tintas.
Ficou tua ausência ocupando-me os espaços como uma falta que habita.

O peso dos dias

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Se eu enlouquecesse e borrasse o desenho da realidade que nos afasta, se eu desdenhasse da dor que me aflige e fingisse que ela está gasta e não mais me atinge, seria mais fácil carregar o peso dos dias e suportar as cinzas do tempo. Mas não sei fazer de conta, não sei representar. Nunca soube ser levada pelo vento ou tomar vinho para não morrer de sede.
Aprendi cedo que a verdade está atrás do palco e não em cima dele.

Doer faz parte...

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Todo crescimento requer um processo. Queimar etapas pode antecipar um ciclo, mas deixa sequelas, muitas vezes, definitivas. O homem que vê a borboleta se debatendo para abrir o casulo ajuda-a a sair, achando que está fazendo o bem; ela sai, mas não consegue voar, as suas asas não têm força. É que elas precisavam do esforço para maturar seu corpo e só então libertar-se. Liberdade antes do tempo é perigoso, implica riscos. Muitas crianças precoces perdem um pouco o sabor da infância; muitos adolescentes que são obrigados a assumir responsabilidades antes do tempo, depois de adultos, querem voltar a ser o que não puderam ser e se comportam de forma infantil, parecendo patéticos aos olhos de quem os observa. A verdadeira criança só se conserva no coração de quem realmente cresceu e sabe diferenciar e adequar prazer e obrigação; compromisso e descompromisso; seriedade e brincadeira, sem transferir culpas e responsabilidades.

Nietzsche diz que “é preciso um grande caos interior para parir um…

STOP

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A vida não parou, Drummond. Nem o automóvel. Todos seguiram. Só eu fiquei imóvel a ver navios encalhados, como quem perdeu
o bonde e a esperança...


Silêncio antigo

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 Há sempre uma casa
com seu silêncio antigo
e seus conhecidos fantasmas
a nos habitar.
Há sempre a memória
de um amor interdito,
dando a ilusão
de que felicidade é apenas
o que poderia ter sido.


O tempo vivido
guarda abismos que
devoram a carne do tempo.
O que nos pertence
é apenas o presente
(fugidio como uma brisa)
e a certeza de que eterno
é somente 
o que não se realiza.

Mar de sargaços

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Esse mar que arrebenta dentro de mim,
com suas ondas em espirais,
inunda todos os vãos da minha alma
e, com a força dos dilúvios e dos temporais,
faz do meu corpo uma inabitável ilha.

Algas e sargaços me envolvem,
me invadem todos os dias,
e deixam no rastro das águas sombrias
o tumultuado silêncio
da indiferença - mortal armadilha.