quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Versos em teu corpo



Em espirais, minhas mãos
criam metáforas no teu corpo
como se escrevessem versos sem palavras.
Na sintaxe do silêncio, somos texto e subtexto,
desejo substantivo de atravessar o espelho
e chegar ao céu,
onde se podem pronunciar todos os verbos.


Aíla
20/10/10

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Canto das sereias

Era quase noite em teus olhos
quando os vi pela primeira vez
e pintei o mundo de verde-esperança.
Era ali, dentro das tuas negras pupilas,
que a vida se redesenhava como um mar
de calmas ondulações.

Tão simples o amor, pensei,
sem imaginar que, pela rimeira vez, 
ouvia o canto das sereias
e me perdia em turvas águas
de diabólicas paixões.

Apascentando sonhos







Como ser o teu espaço
e tua possibilidade?
O obstinado rio
a despejar no teu mar?
Quem me dera ser teu porto
no instante em que a vida arda,
não ser apenas o outro,
não ser aquele que tarda.
Pudesse te encontraria
no leito branco de nuvens,
mistérios apalparia
num sonho doce e suave.
Então, tu me indagarias:
– Trouxeste a chave?
– Sim, querida, e a lua...
– Entra, sou toda tua.



Carlos Vazconcelos

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tarde

Vontade de ti como, no verão, de um mergulho:
o corpo em chamas pedindo água.
Secos os rios e os olhos...
Já nem choro, só o coração lateja
descompassado sob o peito que arde.



Restam-me apenas o mar e seu pedregulho
meu olhar desfeito, minha boca seca
e a salobra sensação de que cheguei tarde.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

TU E O OUTRO


Não a ti, que eu não amo mais,
mas ao outro que eu amei
e por quem sofro,
é que estendo este olhar perdido sobre as ondas
sonhando um mergulho impossível.


Não por ti, homem comum,
que me teve nos braços e conheceu meu corpo,
mas pelo outro que eu criei e fiz poeta,
é que sinto a dor desse dilacerado engano
que me corta feito um punhal de ouro.
És tu quem enterro hoje
sob os escombros de tantos conflitos;
és tu que faço morto em meu desejo
Não o outro que nunca existiu, nunca esteve comigo.


27/10/10


À espera de um eclipse

Quando ouvi tua voz pela primeira vez, uma explosão de silêncios me fez entender que nunca mais eu seria a mesma pessoa. Teu ros...