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Mostrando postagens de Março, 2010

POESIA

Quem de nós, poetas, pode cometer o desatino de desatar os próprios nós? O que seria da poesia se, soltos como meninos, vagássemos inocentes apenas pelo paraíso?
É preciso purgação atar e desatar laços verter lágrimas para cumprir o destino.
É preciso morrer muitas vezes para se fazer poesia; inventar mágoas disfarçar sorrisos
porque é a tristeza que faz versos, não a alegria!

BEIJO

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Ele pronuncia meu nome como quem come uvas vermelhas e deixa escorrer o sumo pela boca; assim, como quem toma vinho de olhos fechados.
Na polpa macia dos seus lábios o vinho escorre, mancha o linho da sua roupa. Eu, com a respiração arquejante, as pernas trôpegas, fraquejo, me aproximo e bebo sua saliva num longo beijo.

ESTILHAÇOS

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A palavra caiu verde da tua boca; estilhaçou-se em meus ouvidos como pólvora
num esgar, um 'não' tão fácil, tão simples e destemido estilhaçou-me:
salitre carvão enxôfre
inútil agora tentar reescrever nossa história.

EXÍLIO

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Aquele que foi meu chão é hoje abismo


Sua boca que tantas vezes sussurrou meu nome, agora grita; aponta-me o dedo sua mão que era só carícia


Aquele que foi minha pátria é hoje exílio.